8 de novembro de 2009

MORTOS, CONVERTIDOS OU ARREMPEDIDOS

O texto abaixo pertence ao Blog do Youssef. Comentários podem ser encaminhados ao próprio autor no endereço
onde o texto está originalmente publicado.


A maioria reconhece a necessidade de se preocupar com a segurança e até me agradece pela iniciativa do blog. Um outro grupo, no entanto, desdenha e até reage de forma agressiva. São os típicos "motoqueiros", irresponsáveis e que se tão espertos que não precisam se preocupar com segurança. "Quer segurança? Fique em casa e não ande de moto" dizem alguns.

A quase totalidade deste segundo grupo é formada por gente bem jovem. Como sou mais velho, e tenho amigos mais velhos, conversando com eles descobri algo interessante sobre essa conduta. Entre os mais velhos, quase não existem "motoqueiros", pois todos estão mortos, arrependidos ou convertidos.
Vamos explicar os termos. Bem, os mortos não necessitam de explicação, fazem parte das estatísticas, tudo o que restou de sua história. Dentre os que sobreviveram a essa atitude displicente quanto à segurança sobram os arrependidos e os convertidos.
Os arrependidos são aqueles que me vêem de moto e dizem "Eu já fui bom nisso, mas tome cuidado, depois do 8º acidente e algumas fraturas eu tive que largar disso"; O arrependido é alguém que sofreu as consequências de sua irresponsabilidade e sobreviveu, mas hoje não pode nem passar perto de uma moto. Interessante que, apesar de arrependido, não reconhece seu êrro e põe a culpa na moto.
O convertido é diferente; trata-se de alguém que agiu irresponsavelmente, mas diante de alguns sustos pode rever sua posição e assumir uma conduta mais responsável para com sua vida e a dos outros. Tenho muitos amigos convertidos, gente que nos anos 70 andava de "Sete Galo" sem capacete e, milagrosamente, sobreviveu. O aprendizado, para alguns, custou caro, mas valeu a pena.
Espero que você já seja um bom motociclista, mas se for um "motoqueiro" lembre-se, em breve você estará em uma das 3 categorias: dos mortos, dos arrependidos, ou dos convertidos.

7 de novembro de 2009

Yamaha eleita Moto de Ouro com três modelos - 2009

Yamaha eleita Moto de Ouro com três modelos, entre elas a avant-première da XTZ 250X

No concurso Moto de Ouro 2009 foram eleitas as Yamaha XT 660R, YZF-R1 e XTZ 250X. Os modelos são reconhecidos como as melhores motocicletas em suas categorias no Brasil e no mundo Dia 24 de março, a Revista Motociclismo Magazine da Motorpress Brasil Editora realizou pelo décimo ano o concurso Moto de Ouro.
O prêmio faz parte do Motorcycle of the Year, o maior prêmio de motocicletas do mundo, do Grupo Motorpress de 12 países - Alemanha, França, Itália, Espanha, Holanda, Suíça, Portugal, Croácia, República Checa, Hungria, Polônia e Romênia.
Nesta edição 2009 as Yamaha conquistaram três dos oito prêmios. As motocicletas foram indicadas pelos leitores da Motociclismo Magazine e escolhidas entre todos os modelos nacionais e importados, comercializados no Brasil. A premiação somente é possível graças ao voto direto dos leitores da publicação.
Todos os modelos Yamaha premiados, representam algumas das motocicletas de maior performance, carisma e comprovada tradição do know-how Yamaha; quer seja na tecnologia ou no designer, são elas: Yamaha YZF-R1 e XT 660R e XTZ 250X, modelos já conhecidos e consagrados do público brasileiro.
Desde 1998, quando foi instituído o prêmio A Melhor Moto do Brasil, hoje Moto de Ouro, a Yamaha foi à única marca a conquistar sete títulos de A Melhor Moto Maxitrail do Brasil com o modelo Yamaha XT660 R - anteriormente XT 600E, já a vencedora de todos os concursos da mídia especializada no País, a YZF-R1 foi eleita também pelo sétimo ano, a Melhor Esportiva ("...porque será!").
As Yamaha vencedoras da décima edição do concurso Moto de Ouro 2009, podem ser adquiridas na Rede de Concessionárias Autorizadas Yamaha mais próxima, em mais de 502 lojas, com um ano de garantia original de fábrica sem limite de quilometragem.

Jornalista: Marcel Mano (Mtb. 19.208) Rodovia Presidente Dutra, km 214 Guarulhos - São Paulo CEP: 07183-903 Fones: (0xx11) 2460-5313/5533 Fax: (0xx11) 2432-5951 www.yamaha-motor.com.br marcel.mano@yamaha-motor.com.br
XT660R


4 de novembro de 2009

LIÇÃO DE VIDA - Gonçalo Borges

Novo Horizonte, Estado de São Paulo, 08 de janeiro de 1952: foi ali, naquele instante, que eu, Gonçalo, nasci, tendo como paisagem de fundo a fazenda onde meus pais trabalhavam.
Contando todos, éramos seis: mamãe, meu pai, meus dois irmãos, eu e vovó. Aliás, foi ela, vovó, quem fez meu parto. Um susto que não esqueceu nunca!

De repente, olha um bebê vindo ao mundo com as pernas para cima dos ombros e, entre elas, os braços! Uma maneira original de nascer, que ficou marcada em sua memória até o fim da vida. E foi numa casa de pau a pique, sem nenhum recurso hospitalar...Mas eu já estava aqui, no planeta, e não pretendia deixar cair a peteca só por causa de alguns detalhes de design genético.

E não deixei. Desde cedo, minhas artes começaram, em todos os sentidos.
Talvez com medo de me deixarem sozinho enquanto davam duro na roça, meus pais me levavam com eles para o trabalho. E foi lá, esperando que terminassem o serviço, que aconteceram minhas primeiras tentativas de trocar literalmente as mãos pelos pés, que usava para abrir garrafas de água ou café.

Orientados por alguém, meus pais vieram para São Paulo, a capital, buscar ajuda para meu caso no Hospital das Clínicas. Não foi fácil. De repente, virei matéria de estudo, passando por vários exames de saúde física e até por testes psicológicos, talvez para verificar meu estado emocional, que na verdade sempre foi, por paradoxal que seja, simplesmente ótimo. Lá, me submeti também a uma cirurgia no braço esquerdo, próximo à região do cotovelo, visando facilitar movimentos. Facilitou mesmo!
Como isso tudo demandava tempo, junto comigo veio toda família. Éramos agora, habitantes da cidade grande, vivendo numa casa que meu pai alugou no bairro da Penha.

Aos 5 anos – comunicação sempre foi meu forte - eu já tinha muitos amigos.
O quintal de nossa casa era grande, havia muitas famílias nas proximidades e, consequentemente, crianças também.
Eu gostava de ficar na rua de pés descalços, brincando de carrinho, bolinha de gude, empinar pipa, soltar balões... O que, devido a minha deficiência nos braços, eu fazia ou com a boca ou com os pés. Foi nessa época que, pelo mesmo método, comecei a desenhar e a pintar na rua.

Aos 7 anos, já era a peraltice em pessoa. O número de amigos se multiplicou, incluindo agora pessoas mais velhas, que me levavam para passear e brincar com seus filhos. Minha mãe, muitas vezes, ficava apavorada com minhas saídas: é que eu esquecia de avisar e ela, sem saber onde eu estava, quase morria de preocupação.

Então, pensando em comprar uma casa, minha mãe começou a trabalhar.
Eu e meus irmãos, a partir daí, ganhamos outra mãe: minha avó, que cuidava
de todos nós.

Quando cheguei aos 8 anos, minha mãe procurou uma escola. Eu já estava atrasado nos estudos, e era hora de começar. Junto, começaram também as dificuldades geradas por preconceitos da sociedade com a minha deficiência.
A diretoria, alegando que minha presença atrapalharia os outros alunos por causa de minha forma de escrever com a boca ou com os pés, não aceitou meu ingresso. Por mais que tenha insistido, minha mãe não conseguiu fazer com que mudassem de posição.
Foi quando alguém indicou a AACD (Associação de Assistência à Criança Defeituosa). Lá, em regime de internato, além de aprender a ler e escrever desenvolvi minhas habilidades de desenho e pintura, pratiquei natação e mergulho, pratiquei datilografia (ou seria pedilografia?) e realizei inúmeros trabalhos manuais.

Por ser uma pessoa extremamente extrovertida, conquistei muitas amizades.
Até fui eleito garoto símbolo da AACD. Também participei de vários concursos de desenho em campanhas educativas, como de trânsito, as de prevenção para não soltar balões, etc. E ganhei prêmios, inclusive da UNICEF!

Durante minha época de AACD fiz ainda parte de um grupo de lobinhos, e logo passei a ser escoteiro, graças a minha facilidade em aprender tudo que me ensinavam. Quando lobinho fui também o menino símbolo do movimento.
Isso foi muito bom para mim, porque me proporcionou a possibilidade de realizar viagens a vários estados do Brasil, participando de inúmeras comemorações.

Permaneci na AACD durante 6 anos. Ao sair de lá, meus irmão mais novos pouco me conheciam, pois só vinha para casa 2 vezes por ano, nas férias. Eles não se escondiam de mim, mas perguntavam a minha mãe quem era aquele
“cara estranho”.
Daí para frente comecei tudo de novo, reconquistando gradualmente os amigos da rua onde morava. Logo, estava totalmente entrosado, jogando bola, bolinha de gude, soltando pipas, brigando... enfim, uma infância muito gostosa, coroada de amizades e de alegria.

Quando tinha 17 anos, um acontecimento marcante: um amigo, que trabalhava como office-boy, foi buscar para seu patrão uns cartões de Natal e comentou com a pessoa que o atendeu sobre mim. Eles ficaram interessados em me conhecer
e marcamos um encontro. Quando me viram, foi uma grande surpresa.
Não podiam imaginar que eu era a pessoa que eles estavam esperando. Esta empresa chama-se Associação Pintores com a Boca e os Pés.

Na época, o Sr. Carlos Henrich, hoje já falecido, era o diretor responsável pela publicação e vendas dos cartões. Ele fez uma visita a minha casa, pediu que mostrasse meu trabalho.

Em seguida, me apresentou à diretoria da Associação para uma avaliação.
Foi quando, aprovado como artista bolsista, passei a receber para estudar desenho e pintura. Então, após quase um ano, tive minha primeira obra publicada nos cartões de natal. Finalmente!

Daí, não parei mais. Fiz cursos de desenho e pintura, primeiro por correspondência, depois numa escola de desenho e pintura do Sr. Sarau.
Tive também um professor particular. De início só pintava com tinta óleo,
amas quando ganhei um curso de desenho e pintura na Associação Paulista
de Belas Artes, aprendi a pintar com tinta aquarela e guache e, o que é mais importante, estendi muito minha experiência, trabalhando com modelos ao vivo, nus e outras situações.

Sempre querendo melhorar e me aperfeiçoar, prestei vestibular e cursei Comunicação Social (propaganda), enquanto fazia layouts para algumas agências de publicidade e pintava para a Associação.
No ano de 2000, deixei de ser um simples bolsista e passei a ser membro da Associação. Com isso, ganhei o direito a voto em decisões da direção da organização, que já está em mais de 60 países e tem aproximadamente 500 artistas em todo o mundo.

Estes são, por enquanto, os fatos que pontearam minha existência, me empurrando sempre para frente, apesar e até graças a minha deficiência, que me fez superar limites e atravessar fronteiras. Mas minha história, podem ter certeza, não vai acabar por aqui. Estarei sempre construindo um futuro melhor para minha pessoa e minha arte, com trabalho, determinação e a certeza de que o futuro reserva, graças a este Poder Misericordioso e Justo que rege o mundo, dias de muito sucesso e gratificação aos que, como eu, enfrentarem seus desafios e acreditarem em seu talento.

FONTE: http://www.goncaloborges.com.br/